Outubro rosa e a violência contra a mulher

Ola! Sei que temática deste blog seria algo mais leve, mas esta semana vivenciamos diversos fatos relacionados ao tratamento desrespeitoso que tem sido dado às mulheres e meninas brasileiras e, por gostar de expressar opinião não posso me calar diante de tais fatos. Fico ainda mais triste por estarmos num mês que seria para promover o diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama e ao invés de vermos medidas que protegem a saúde das mulheres estamos vendo mais agressão e preconceito.

Na terça feira da semana tivemos primeiro a aprovação pela câmara da PL mais preconceituosa contra mulheres que sofrem agressão sexual, a PL 5069, de autoria de Eduardo Cunha entre outros. Objetivando dificultar os casos possíveis de fraude de violência, o projeto de lei determina que a mulher ao sofrer agressão, deverá ir primeiro a delegacia prestar depoimento ao invés de ir ao hospital. Ou seja, imaginem uma mulher machucada, com a roupa rasgada, sangrando etc ter que passar pelo constrangimento e desrespeito de ir numa DP antes de poder realizar algum tratamento? Segundo a lei atual, a coleta de provas, tratamento anti-aids e DSTs e administração de pílula seguinte seriam feitos no hospital. Ou seja, por causa da opinião preconceituosa de poucos deputados, homens, na maioria evangélicos, mais de 80 milhões de mulheres brasileiras podem ser prejudicadas. Isso num país com 50 mil casos de estupro por ano em 2014 não é pouca coisa..

PL-do-Estupro

Em segundo, na mesma terça-feira, após a exibição do programa Masterchef Junior, houve uma série de comentários pedófilos a respeito de uma das participantes, uma menina de 12 anos. Diversos homens na rede sociais esbanjaram ofensas e declarações de interesse sexual, ignorando a idade da menina, como se pode ver a seguir:

pedofilia

Após o ocorrido em relação a Valentina, por sugestão da organização Think Olga, milhares de mulheres escreveram sobre os casos de assédio que sofriam na infância usando a TAG #primeiroassedio. Os casos são de dar ânsia de vômito…

think-olga-primeiro-assedio

Já ontem, sábado, após a primeira fase do Enem, uma questão sobre feminismo e movimentos pela igualdade de gênero recebeu diversas ofensas na internet, até mesmo do deputado Jair Bolsonaro. Um texto de fácil interpretação, fazendo crítica ao tipo de mulher que a sociedade impôs naquela época foi chamado de esquerdista, feminazi, tendencioso e deu margem a mais agressões nas mídias sociais às mulheres que lutaram e lutam por respeito.

bolsovomito

Fechando a semana de demonstração de “respeito”, após a divulgação do tema do Enem sobre “Violência contra a mulher”, “adoráveis”internautas destilaram mais grosseria, como se pode ver abaixo.

enem_vio_8

Todos estes fatos só me levam a crer que ainda falta MUITO para sermos respeitadas neste país e que, além de campanhas pela nossa saúde, devemos ter sim um maior esclarecimento em todas as esferas da sociedade sobre  como a mulher deve ser tratada, inclusive punindo os casos de violência verbal. Será que não podemos melhorar isso tendo mais participação na política e manifestando nossa opinião nos projetos que interferem no nosso cotidiano? Será que não estamos fazendo vista grossa e deixando passar comportamento machista? Será que não deveríamos pleitear penas maiores para agressão verbal por preconceito de gênero, assédio e estupro?

Talvez este papo seja chato demais, mas tenho medo por nós mulheres e pelas próximas gerações.

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Não está fácil ser do sexo feminino hoje em dia..

 

 

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